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Entrevista com Rivail Teixeira, das Fulaninhas

Entrevistas - Publicado em 14 de Outubro de 2015

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  Entrevista com Poli Lopes:

 

 

Sempre que eu vejo grupos gigantes no Facebook, daqueles com milhares de pessoas que conversam “tudo ao mesmo tempo agora”, me pergunto como eles funcionam efetivamente. Quem administra, modera, agita as conversas? Se este grupo for “anônimo”, então, a curiosidade é multiplicada por mil. E qual não foi a minha surpresa quando descobri que um desses grupos, o Fulaninhas, é administrado por um amigão de longa data – e com quem não mantinha contato há anos. O Rivail Teixeira foi meu colega de faculdade, nos formamos juntos – praticamente sentados lado a lado, e compartilhamos alguns dos melhores anos das nossas vidas. Quando vi o que rolava no grupo, não me contive e pedi a ele que contasse aqui um pouco dessa experiência:


– como e por que surgiu o grupo Fulaninhas?

O Grupo Fulaninhas surgiu em razão da página Fulana, focada em frases e imagens de humor e que tem quase um milhão de seguidores. Precisávamos conhecer este público para falar com ele. O grupo foi criado há sete meses e por muito tempo teve 1.500 participantes. Nele, as Fulaninhas foram contando suas histórias e expondo suas dúvidas sobre a vida e o que pensavam. Hoje em dia, tem cerca de 16 mil meninas de todo o Brasil e algumas do Moçambique.


– quem está por trás dele?

O grupo trabalha com três administradores. Eu, Rivail, 37 anos, sou jornalista e repórter de um jornal no interior do Rio Grande do Sul. O Matheus Agranonik, 25 anos, trabalha com administração de conteúdo de diversas páginas e seu irmão, Thiago Agranonik, 26 anos, é seu parceiro na administração das páginas. Os Agranonik estão voltados para o conteúdo e administração da página Fulana. Eu me dedico ao grupo Fulaninhas, postando conteúdo e moderando as postagens dos membros.


– a movimentação no grupo é uma loucura. Como vocês administram isso?

O grupo se torna uma loucura no momento que são milhares de meninas trocando ideias. Elas são muito jovens, com muita energia e opinião. Temos o que chamamos de Treta, ou o que chamaríamos um tempo atrás de “barraco”, quando acontece uma briga generalizada nos comentários de algumas postagens. Pedimos que os debates não caiam em xingamentos, mas nem sempre isso é possível. Se alguém perde o bom senso e pratica atos de preconceito, descriminação, exposição de terceiros ou desrespeita com palavrões, é banida do grupo. Um dia perguntei para as Fulaninhas porque brigavam tanto. Me responderam “Por que somos mulheres e somos assim”. Então, passei a estar mais atento quando o clima começa a esquentar nas discussões. Também deletamos postagens de conteúdo pornográfico, proibidas pelo próprio Facebook.


– como ocorre o gerenciamento do conteúdo? Além do que as mulheres postam, vocês trabalham com estímulos, assuntos que vocês achem interessante colocar na pauta delas?

Sim, procuramos estimular alguns debates, apesar das Fulaninhas serem muito ativas e produzirem muito conteúdo. Criei o Riva News, falando sobre os acontecimentos do grupo e também minhas reflexões a respeito. O grupo está sempre se renovando em seus assuntos e as Fulaninhas são muito responsáveis por isso.


– e o gerenciamento dos ânimos? como funciona?

Acabamos criando regras, sugeridas pelas próprias Fulaninhas. Elas ficam fixadas no topo da página. Óbvio que nem todas são respeitadas. Quando a coisa está uma bagunça interfiro. Também recebo denúncias por inbox. Na maioria dos dias está tudo numa boa, mas um roteiro vai se criando de forma natural, então sempre há um acontecimento novo, um personagem que se destaca, as amadas, as odiadas. Muitas vezes, não é diferente da época do colégio. Sempre deixamos claro que a missão do Fulaninhas é a amizade e desenvolver a capacidade de troca e respeito mútuo. Posso dizer que tem dado certo. Nosso índice de banimento é baixo.


– quais as principais dificuldades encontradas?

Acredito que a maior dificuldade é acompanhar o ritmo delas. Elas ficam no grupo 24 horas, ele está sempre em funcionamento, ou seja, com postagens e comentários. Também a forma de como fazer a coisa toda. Isso ainda é muito novo, ainda intuitivo, se aprende com os erros. Mas não tenho nenhuma grande dificuldade para citar. É delicioso fazer. Eu me divirto. Adoro ler as histórias de vida. Como são de muitos lugares e realidade diferentes acho uma troca virtuosa entre as meninas.


– como vocês avaliam a relação entre público e privado nos posts e comentários das Fulaninhas? Eu percebi que, por ser “fechado”, o grupo passa uma segurança que pode não ser bem real, visto que tem pessoas ali de diferentes lugares… O que vocês acham disso?

No momento que qualquer membro do grupo faz um print de uma publicação e publica em outra página ou grupo, a ideia de privado cai por terra. Mesmo que esteja nas regras que isso pode causar expulsão, como controlar? Em um grupo de internet não existe privado. Mas acredito que muitos vivem esta falsa sensação e também se aproveitam dela. Muitos querem ser reconhecidos, causar interesse. O que mais causa interesse do que a privacidade alheia no mundo em que vivemos hoje? Sobre ser de diferentes lugares, não vejo nenhuma co-relação. O que me assusta mais é que existem pessoas de todo o tipo, inclusive as piradas que entram em grupo de internet. Este é com certeza um bom nicho para estudos antropológicos.


– quando começaram, onde vocês queriam chegar? O que esperavam e o que encontraram?

Aceitei isso muito na surpresa, administrar um grupo de mulheres na internet, provenientes de uma página de humor feminino. Um dia o Matheus perguntou “quer escrever sobre assuntos bélicos ou humor feminino?”. Eu disse rapidamente: humor feminino. Amo as mulheres. Querer chegar… hehehe! Eu já fantasiei uma Disney para as Fulaninhas. Mas todos têm outros trabalhos e projetos, então não sabemos quanto tempo isso vai durar e que registro vamos deixar disso. Eu gosto da ideia de um desenho animado, com a Fulana, Cicrana e Beltrana contra as arqui rivais Escrotiane, Hipocriena e Falsiane. Mas nada é muito concreto. Estamos vivendo cada dia. Se um dia eu perder o prazer não faço mais… então é uma pergunta difícil.


– monetização: já pensaram, já tentaram? de que forma?

A monetização sempre é um problema. Temos várias ideias, mas não é o momento certo para falar sobre isso de acordo com os interesses do Projeto Fulana. Não pense que não há concorrência em grupos de internet!


– e daqui pra frente, quais são as ideias e projetos?

Como disse antes, estamos vivendo um dia de cada vez… Claro que temos projetos e ideias. Posso adiantar que criar produtos é uma delas, mas mais do que isso não posso dizer. Ah! Teremos um comercial promocional, o qual gostaríamos que fosse lançado ainda esse ano, mas com uma equipe de cinema bem ocupada, fechar datas em agendas é difícil. Mas o comercial acho que será nossa grande surpresa para o Natal!


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              Rivail Teixeira,     
das Fulaninhas      

 

 

 

    Comentários

  1. Uaal… Que massa adorei ler sobre a entrevista, gostei bastante fico feliz por você pelo grupo, não é fácil, nada é fácil, mas aos poucos tudo vai se ajeitando, uma hora é agito no outro é solidariedade, eu amo participar do grupo, não sou muito boa com as palavras, bjus forte abraço…

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